Neste artigo irei compartilhar alguns conhecimentos indispensáveis para apresentar o básico do vinho para iniciantes.

Todos sabem que beber vinho pode trazer diversos benefícios à saúde. Porém começar a desbravar esse incrível universo pode ser um pouco desafiador no início.

Um mundo novo se abre diante de nossos olhos depois que provamos a primeira taça de vinho. Tem gente que já se sente envolto logo na primeira vez mas também tem aqueles que não se agradam e desistem logo.

Por ser uma bebida bastante delicada e específica, possui inúmeras variações e detalhes. Não é fácil entender a diferença dos tipos de uva, da fermentação e das outras características presentes em um rótulo.

Então, para facilitar a sua vida, selecionei algumas dicas poderosas, seja você alguém que se apaixonou de primeira e quer saber os próximos passos, ou alguém que não gostou muito mas resolveu dar uma nova chance.

Nas linhas seguintes você vai aprender:

  • Um pouco sobre como o vinho é feito
  • Os principais tipos de vinho
  • As principais barreiras que te impedem de apreciar melhor
  • Degustação de vinho para iniciantes
  • 5 dicas básicas que todo iniciante deve saber

COMO O VINHO É FEITO

Uvas em vinícola - Vinho para iniciantes

O vinho é resultado da fermentação alcoólica do mosto da uva.

É um processo natural que acontece quando a levedura (micro-organismos que vivem na fruta) transforma o açúcar em álcool (o vinho) e gás carbônico (as borbulhas).

O gás carbônico é o que define se o vinho será um espumante ou tranquilo, como são conhecidos os vinhos sem borbulhas.

Colheita

O momento certo de colher as uvas é uma das decisões mais importantes a serem tomadas no processo de produção dos vinhos finos.

A colheita é feita em épocas diferentes, de acordo com a variedade de uva, o estágio de maturação e as condições climatológicas.

É realizada em horários com temperaturas mais amenas, podendo ser feita inclusive no período noturno, para evitar que os frutos entrem em oxidação.

Desengace e esmagamento

Chegando na vinícola, as uvas são colocadas em máquinas (desengaçadeira-esmagadeira) que removem os engaços dos grãos e rompem as cascas das uvas, tudo de modo sutil.

Assim, o suco da uva é livremente escorrido, sem que as cascas e sementes sejam esmagadas.

Prensagem

Após o esmagamento das uvas, o mosto é prensado para separar as cascas e sementes do suco. Esta prensagem inicial é apenas realizada na elaboração do vinho branco.

O vinho rosé e tinto pulam esta etapa, pois são fermentados juntamente com as cascas para ganharem cor.

Fermentação

É quando as leveduras se alimentam do açúcar natural presente no suco das uvas e o transformam em álcool e dióxido de carbono.

Então o enólogo precisa decidir em que tipo de tanque o vinho vai fermentar, a qual temperatura e durante quanto tempo o vinho vai estar em contato com a casca.

Trasfega

Terminada a fermentação alcoólica, vários resíduos se depositam no fundo do tanque.

Então é feita uma transferência (trasfega) do líquido para um recipiente limpo, para que aromas e sabores indesejáveis não sejam passados ao vinho.

Estabilização e clarificação

Posteriormente, o vinho é submetido a alguns processos onde são removidos componentes que podem deixá-lo turvo.

Então é feita a estabilização ao calor (para que o vinho não se torne turvo quando submetido à altas temperaturas), ao frio (para que não se formem cristais em baixas temperaturas) e a estabilização microbiológica (para que novas fermentações não aconteçam depois de engarrafado).

Amadurecimento

É feito basicamente em tanques de aço, os quais limitam a exposição ao oxigênio, mantendo-os frescos. Ou barris de carvalho, que possibilitam o contrário, ajudando na redução de taninos e acidez.

Nos vinhos tintos, os barris de carvalho são os mais utilizados, acrescentando a eles aromas e sabores, deixando-os mais macios.

Engarrafamento

Por fim, os vinhos são engarrafados e deixados em repouso na vinícola, até estarem prontos para serem comercializados.

Isto é importante para que haja recuperação de um possível defeito ocasionado por agitação ou exposição ao oxigênio de forma acidental.

O tempo de repouso varia bastante, podendo ser por dias, semanas ou meses. Porém há vinhos que permanecem engarrafados por muito anos.

TIPOS DE VINHO

Vários tipos de vinho

Espumante

Espumantes são vinhos brancos que passam por um processo de fermentação natural. O gás carbônico é o responsável pela espuma e pelas bolhas em sua apresentação.

Dentre eles, o mais famoso é o champanhe, que só pode levar esse nome se for produzido exclusivamente na região de Champagne, na França.

Vinho branco

Podem ser mais ácidos ou mais doces. São produzidos, geralmente, a partir de uvas com casca de coloração esverdeada e que produzem um suco mais claro.

Os vinhos brancos podem ser servidos gelados e caem muito bem com frutos do mar, peixes, aves, saladas e massas leves.

Vinho tinto

São produzidos em larga escala em todo o mundo e são feitos a partir de uvas escuras e devem ser servidos a uma temperatura em torno de 15°C.

Os vinhos tintos se dividem entre os secos, que possuem um sabor mais intenso, e os vinhos suaves, mais adocicados.

Ainda existe a variação demi-sec, que possui um paladar intermediário. Essas variações dependem da quantidade de açúcar que é utilizada na fabricação da bebida.

Vinho rosé

Um grande equívoco que muitas pessoas cometem é pensar que o vinho rosé é uma mistura entre vinho tinto e branco.

Embora muitas empresas adotem este método para diminuir os custos, a forma correta de produzir o rosé é através de processos de vinificação mais curtos, o que faz com que ele fique mais claro.

Eles variam desde a coloração alaranjada até uma espécie de roxo translúcido. As uvas mais utilizadas nos vinhos rosé são as Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay.

Vinho fortificado

Também conhecido como vinho de sobremesa, o mais conhecido é o Vinho do Porto que é produzido na região do Douro, em Portugal.

Possui variações entre tinto e branco e uma graduação alcoólica bem alta, chegando a 20%.

Seu elevado grau etílico e doçura são obtidos através da mistura de aguardente de vínica (que é uma aguardente obtida por meio da destilação do vinho) durante a fermentação.

O vinho do porto é uma boa escolha para acompanhar queijos mais salgados, além de harmonizar com aperitivos e sobremesas.

PRINCIPAIS BARREIRAS

Jovem com expressão de rejeição

Muita gente pergunta: qual o melhor vinho para iniciantes?

Não existe uma resposta definitiva para essa dúvida tão comum, uma vez que a percepção sobre o que é agradável é algo bastante particular.

Por outro lado, existem algumas características únicas do vinho ao paladar com que o iniciante comumente se depara e que acabam se tornando uma barreira.

Contornar essas características, torna a experiência mais agradável e abre mais a mente de quem está começando em relação ao vinho.

São elas:

O teor alcoólico

Isso não será um problema para quem já é acostumado a consumir bebidas mais fortes como whisky, vodka, cachaça, conhaque e destilados em geral. Porém pode gerar certa resistência para quem geralmente só consome cerveja.

A maioria das cervejas possui entre 4,5 a 6,0% de teor alcoólico. Já o vinho possui algo em torno de 12 a 15%, geralmente.

Ao consumir vinho, é comum sentir no paladar uma sensação de aquecimento, calor e, às vezes, ardor.

Se essa sensação causada pelo álcool não lhe agradar, procure por vinhos com menor teor alcoólico e levemente adocicados.

Nesse caso é indicado vinhos brancos, espumantes ou rosé, que são consumidos um pouco mais gelados que os tintos.

Os taninos

Mais uma vez essa palavra estranha aparece, e que nada mais é do que a adstringência do vinho.

Também chamada de textura do vinho, a adstringência é a sensação de ressecamento causada no paladar pelos taninos do vinho encontrados, principalmente, nos vinhos tintos.

Para ficar mais fácil de entender: sabe aquela sensação de “lixa” quando comemos uma maçã ou abacaxi? É exatamente isso, parece que sua boca fica mais áspera.

Se essa sensação lhe causar incômodo, procure vinhos cujas uvas possuem menores quantidades de taninos, como as uvas Pinot Noir, por exemplo. Vinhos brancos, rosé e espumantes também são uma boa pedida.

A acidez

Os valores de pH variam de 0 a 14. As substâncias com pH 0 a 7, são consideradas ácidas, valores em torno de 7 são neutras e valores acima de 7 são denominadas básicas ou alcalinas.

O vinho está do lado ácido na escala de pH, possuindo, geralmente, uma variação de 2,5 a 4,5.

Um vinho com pH 3 é, praticamente dez vezes mais ácido que um com pH 4. Pra você ter um pouco de noção do que isso representa, a cerveja possui cerca de pH 4 e um limão em torno de pH 2.

Tendo isso em mente, se a acidez for um problema, você deve começar por vinhos tintos com uvas menos ácidas, como Tempranillo, Merlot ou Carménère, por exemplo. Esqueça, por enquanto, os vinhos brancos, rosé e espumantes.

Não esqueça que essas características são componentes essenciais aos vinhos, ajudando na sua conservação, dando estrutura, frescor e que, pessoas diferentes, tem sensibilidades diferentes.

Com o tempo, você vai aprender a identificar as características que mais lhe agradam e mais lhe incomodam e, assim, vai selecionar cada vez melhor os seus vinhos.

É bem comum o paladar da pessoa mudar com o tempo e, o que hoje lhe incomoda, futuramente pode lhe agradar, o que torna a experiência com o vinho algo mais espetacular.

DEGUSTAÇÃO DE VINHO PARA INICIANTES

Mulher apreciando vinho

Aprender a provar vinhos não é diferente de aprender a apreciar música ou arte, uma vez que o prazer que você recebe é proporcional ao esforço que você faz.

Quanto mais você aperfeiçoar suas habilidades sensoriais, melhor poderá entender e apreciar as nuances e detalhes que os bons vinhos expressam.

Primeiramente avalie a aparência do vinho. Verifique sua cor, se ele retém menos ou mais luz. Aprecie as “lágrimas” correrem pela taça.

Antes de provar o vinho, dê uma boa cheirada no conteúdo da taça. Tente perceber as características aromáticas do vinho. Seu nariz é a chave para o seu paladar.

Em seguida, coloque a bebida na boca, mas não engula ainda. Tente sentir a textura e acidez. Tente isolar alguns sabores enquanto o vinho passeia até a sua garganta e, finalmente, engula.

Preste atenção no sabor e na sensação que ele deixa no seu paladar, mesmo depois de ingerido.

Aprecie as taças seguintes vagarosamente, tentando identificar a evolução do vinho e como suas características mudam a cada gole.

A propósito, se quiser aprender como degustar vinhos como um profissional, recomendo o método do site Vem da Uva.

É um guia passo a passo bem didático, com linguagem simples e acessível. E é bem baratinho, vale super a pena.

É só acessar o link: quero conhecer o guia de degustação de vinhos para iniciantes.

DICAS BÁSICAS QUE TODOS PRECISAM SABER

Abridor de dois estágios

Como abrir e servir

Utilize um saca-rolhas simples, conhecido como dois estágios, pois é fácil de usar e cabe em qualquer gaveta, ou mesmo no bolso.

Para evitar pingos, há alguns acessórios chamados corta gotas que ajudam, ou você pode usar um guardanapo mesmo: dobre o papel em triângulo e envolva o gargalo, torcendo as pontas para firmar na garrafa.

Para espumantes não é necessário saca-rolhas, mas cuidado com a abertura, pois ao soltar a rolha ela pode saltar da garrafa, devido à pressão.

Em relação a quantidades, os brancos e tintos devem ocupar até metade e um terço da taça, respectivamente. Já os espumantes podem preencher até dois terços, respeitando os tipos de taça indicados para cada tipo de vinho.

Como armazenar

A melhor maneira de armazenar as garrafas de vinho ainda fechadas é na posição horizontal.

A rolha precisa estar umidificada para que a micro-oxigenação do vinho ocorra de forma lenta e gradual. Caso contrário, a rolha secará e o processo acontecerá mais rapidamente, por conta dos poros estarem mais acentuados.

É importante também manter as garrafas em um lugar com pouca variação de claridade e temperatura, de preferência em torno dos 15ºC.

Dê preferência a uma adega climatizada, mas caso não possua, procure o local mais fresco e escuro da casa. E cuidado com o excesso de umidade!

Já se você não consumiu o vinho inteiro e deseja guardar o restante, deixe sempre na geladeira. O resfriamento do vinho vai retardar o processo de oxidação.

Feche bem a garrafa, de preferência com vedantes de metal próprios para isso.

Deixe o vinho em pé, pois quanto menos contato com o ar, melhor. Quando em contato com o oxigênio, ele pode sofrer alterações na cor, no paladar e principalmente no aroma.

Não coloque na porta da geladeira para evitar atritos e consuma a bebida no máximo em dois dias depois de aberto.

Como e porque decantar

A decantação tem dois propósitos: acumular os sedimentos que podem ter se formado num vinho ou deixar um líquido que passou muito tempo engarrafado respirar brevemente antes do serviço, fazendo com que o vinho se “abra”.

A maioria dos vinhos de guarda, mais antigos e que passaram por algum processo de envelhecimento contêm partículas sólidas resultantes do processo de vinificação. Daí se torna necessária a separação dessas partículas do líquido que será bebido.

Além disso, deixar o vinho em contato com o oxigênio serve para que a bebida mostre os aromas que ainda não foram revelados, por ter sido recém tirado da garrafa. É a conhecida expressão “deixar o vinho respirar”.

O instrumento utilizado é chamado de decanter: uma garrafa de bojo amplo que aumenta a superfície de contato do vinho com o ar.

Basta transferir a bebida lentamente para o decanter com cuidado e dar tempo à aeração. Esse tempo vai depender do tipo de vinho e da sua maturidade, levando cerca de 30 a 45 minutos.

Você também pode fazer isso direto na sua taça, girando ela logo depois de servida.

Como pedir vinho em um restaurante

Principalmente para quem está começando, a dica para não errar é buscar referências já conhecidas, pois vinho bom é aquele que a gente gosta.

Porém uma das maiores diversões do mundo do vinho é descobrir novos rótulos. Então peça ajuda ao garçom, maître ou sommelier.

E lembre-se: não é o preço que faz um vinho ser melhor ou pior, como veremos na dica seguinte.

Vinho bom é vinho caro?

Esta é uma dúvida comum entre muitas pessoas. No entanto, há coisas que indicam quando um vinho possui um maior valor agregado.

Uma garrafa que irá custar mais caro, rolhas de cortiça, até mesmo as cápsulas, são detalhes que são importantes para algumas vinícolas demonstrarem o cuidado que tiveram na produção de seu vinho.

Contudo há vários estilos de vinho:

Há aqueles para serem consumidos jovens, que fermentam apenas em tanque de inox, com características mais leves, mas que não deixam de ser ótimos vinhos.

E também há vinhos mais “elaborados”, com períodos de amadurecimento em carvalho e garrafa, produzidos de variedades de difícil cultivo, produções limitadas, que nesse caso são vinhos “premium”.

Por fim, o que realmente vale é você desconstruir dogmas e arriscar conhecer novos produtores e novos vinhos.

E então, está empolgado pra começar a colocar em prática?

Conte nos comentários o que achou do conteúdo.


Eduardo Gomes
Eduardo Gomes

Entusiasta do mundo dos vinhos, quer ajudar várias pessoas a apreciar e conhecer mais sobre essa maravilhosa bebida.